segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

New year's day

Chega de promessas para serem não cumpridas. Chega de planos para serem abandonados pelo caminho. É inevitável que todo final de ano traga melancolia e proporcione um profundo momento de reflexão, mas o que significa de fato ano novo? Obviamente cada um possui uma definição a que mais lhe agrade, carregada de sentimentalismo e significados.
Sinceramente eu nunca gostei muito disso tudo. Nos últimos cinco anos a única coisa que me lembro foi que a cada dezembro, uma nova despedida - e parece que desta vez não foi muito diferente. Por mais que seja clichê, é verídico dizer que a vida é mesmo assim, feita de chegadas e partidas e sempre vai ser. A gente aprende a lidar com isso, mas daí dizer que se acostuma... Jamais me acostumarei; olhar pra trás e ter que admitir: ficou pra trás. Seria mais fácil se apenas as coisas ruins pudessem ser deixadas para trás, mas em contrapartida, será que as boas teriam o mesmo valor? E tudo vira uma grande bola de neve, perguntas que apenas desencadeiam mais dúvidas e por fim, um ciclo também chega ao fim - com ou sem respostas. Porque o tempo não para e vai ser tarde quando perceber que ele não volta. Quem se importa com promessas de um ano perfeito? Perfeito é simplesmente viver cada segundo como se fosse o último de sua vida, porque o que valeu a pena, valeu o tempo todo.
É bem isso. Chegadas e partidas, momentos bons e ruins. Um ciclo que se renova a cada 365 dias. Por que não pode ser tão simples? Talvez realmente não seja se você repetir o ciclo anterior, continuar carregando o que te carregou, o que te fez por vezes se arrastar. Se tudo correu bem, então dê continuidade, mas se não... bem, é um novo ciclo, então a solução seja começar do zero. Há 50% de chance de algo dar errado, mas a mesma probabilidade de dar certo e só existe uma forma de saber o resultado. Melhor se arrepender por ter feito do que por não ter tentado. Cabe apenas e exclusivamente a cada um de nós decidirmos continuar no mesmo caminho ou não. Cabe apenas a cada um decidir entre sobreviver ou viver - e existe aí uma grande diferença. As coisas são simples de fato, o ser humano que sempre arranja um jeito de complicar - deveria fazer o contrário.
Esse é provavelmente o último post do ano, mas espero de verdade não clicar no botão excluir dessa vez – isso não é uma promessa!

"All is quiet New Year's Day
A world in white gets underway
Nothing changes on New Year's Day
On New Year's Day"
- New Year's Day; U2

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Trust

Sei que as vezes pareço distante, sei que as vezes te decepciono e que minha companhia ao invés de te alegrar, te faz chorar por dentro. As coisas não são fáceis pra mim, mas também não são pra ninguém, portanto jamais usarei isso como uma hipócrita justificativa. Mas se me mantenho em pé, é porque tenho você.
O calor do seu abraço faz tudo ficar bem melhor e o pulsar do seu coração faz a minha vida querer tomar o mesmo ritmo. Se te fiz sofrer foi na tentativa de lhe proteger, por favor, não entenda mal. E não pense que sua presença é indiferente, me iludi ao fazer isso. Meu maior medo é que a minha se torne dispensável e você então me esqueça. Até mesmo quando insiste no silêncio, gosto de você do meu lado.
Mais do que pedir seu amor, peço sua confiança. Sem sua amizade eu também perco minha base. Preciso de seu carinho, preciso da sua atenção, preciso da sua paciência - e até mesmo da impaciência. Preciso de você.
"There is no-one left in the world
That I can hold onto
There is really no-one left at all
There is only you
And if you leave me now
You leave all that we were
Undone
There is really no-one left
You are the only one"
- Trust; The Cure

sábado, 18 de dezembro de 2010

My immortal

Escutava folk metal até que o som da gaita ia aos poucos se misturando com a chuva que começava a cair lá fora. Olhou pela janela. Era tão... melancólico. Sentiu o vento gelado tocar sua pele. Queria apenas que ele a abraçasse naquele momento, por uma fração de segundo. Queria que o vento trouxesse consigo também o perfume dele - que pode sentir, em sua memória. Deitada no chão de seu quarto, fechou os olhos. Imaginou como seria se esse outro mundo tornasse realidade. Desejava isso mais que sua própria vida, que parecia não fazer sentido sem ele.


"I've tried so hard to tell myself that you're gone
But though you're still with me
I've been alone all along"
- My Immortal; Evanescence

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Time of your life

Mexendo nos arquivos, vasculhando pastas, revendo fotografias, relembrando momentos. Tenho feito muito isso nos últimos dias. Às vezes paro em uma ou outra, fecho os olhos, e com uma música ao fundo, é como voltar para aquele lugar, no exato instante em que a foto foi feita. Não queria que isso soasse nostálgico, mas é realmente impossível.
Em uma dessas viagens pelo HD, abri a pasta com as fotos da viagem para Campinas ao final de outubro (sempre outubro). Objetivo da viagem: 2ª Olimpíada Nacional de História do Brasil proposta pela Unicamp. Cinco fases realizadas virtualmente e a sexta fase e grande final, presencial na universidade - sonho bastante distante até então.
Formamos a equipe de três pessoas (no nosso caso, seis hahaha), com a orientação de um professor (Aída *-*), e estávamos então participando - eram duas equipes, uma comigo e mais duas amigas, e uma outra formada por outros três amigos. A cada reunião para discussão das questões resultava numa grande interrogação ao final. Será que passaríamos? Achávamos que nem da primeira fase... Mas passamos, e a cada etapa vencida era uma felicidade seguida de aflição. Primeira, segunda, terceira, quarta, quinta fase. Ter que abrir aquele site para saber o resultado obviamente foi terrível (e eu não estava presente, desculpe deixá-las fazer isso sozinhas, Anne e Nina hahaha). Após quase dois meses chegamos lá. Era surreal. Era... Simplesmente ERA!
Surreal mesmo foi entrar naquele ônibus, chegar em Campinas, pisar na Unicamp. Sim, isso significava muito pra mim, para todos nós. Finalmente estávamos lá! De 17mil equipes do Brasil inteiro, éramos duas das 300 que realizaria agora a prova da sexta fase, e também as únicas representando toda a região sul fluminense.
Hospedamos-nos numa pousada simples, mas perfeita. Mágica! – as palavras certas. Lá, já conhecemos uma outra equipe, de Fortaleza. A ficha então começou a cair de verdade. Era sexta-feira e teríamos o final de semana pela frente.
Na sexta, saímos à noite para jantar (e que jantar hahaha!). Sábado realizamos a prova pela manhã e a tarde participamos de uma confraternização que contou com uma banda tocando um repertório sobre a história do rock - como poderia ser mais perfeito? *-* No domingo era o resultado e a premiação (75 medalhas de ouro, 35 de prata e 25 de bronze).
Detalhes à parte, é claro que estou resumindo um pouco de tudo, mas é aqui que eu queria chegar. As equipes vencedoras eram anunciadas de três a três, e a cada "Rio de Janeiro" que era pronunciado, o coração batia mais rápido. Ao falarem "Volta Redonda"... bem, realmente não consigo descrever o que senti, mas garanto com certeza que nosso grito foi o mais alto hahaha! A equipe chamada foi a dos meninos, mas sabíamos que aquela vitória era de todos nós. Chegamos ali juntos e estávamos ali por isso.
Foi aí que percebemos então o verdadeiro sentido daquilo tudo. A medalha apenas simbolizava a vitória onde todos eram vencedores. Vencedores por terem chegado até lá. Tudo o que vivemos durante aqueles três dias, as pessoas que conhecemos, cada abraço, ainda que  desconhecido, mas sincero e recíproco. Foi tudo tão intenso e verdadeiro... Estávamos todos felizes por estar ali e por compartilhar o momento com todo mundo. Essa com certeza foi a nossa maior vitória e felicidade. Tudo o que aprendemos e o que realmente ficou não têm preço ou qualquer premiação que pague. Quem teve a oportunidade de sentir tudo isso, com certeza entende do que estou falando. A felicidade só é verdadeira quando compartilhada e esse é o sinônimo de viver.
Sem dúvida foram três dos dias mais felizes da minha vida e ter que voltar não foi nem um pouco fácil. Saber que tudo aquilo estava ficando para trás foi como também deixar uma parte de mim, mas o que eu trouxe comigo estará para sempre na memória e no coração.
Agradeço à Anne, Nina, Gabriel, Dani, João, ao Tio Felipe (pai do Dani, que também adotou todos os outros), sem vocês nada disso teria valor. E claro, agradeço à nossa professora Aída, que não pode viajar conosco mas esteve presente o tempo inteiro, e sem ela não teríamos chegado lá. Essa vitória é tão sua quanto nossa, Aída.


"So take the photographs
and still frames in your mind
Hang it on a shelf
of good health and good time
Tattoos of memories
and dead skin on trial
For what it's worth
it was worth all the while"
- Time Of Your Life; Green Day