segunda-feira, 28 de março de 2011

Iron Maiden - The FAIL Frontier (HSBC Arena, Rio de Janeiro, 28/03/2011)

Não é de costume postar aqui textos e matérias que não sejam de minha autoria, mas dentre várias, essa, sob minha visão, descreve exatamente tudo o que nós, fãs e pagantes que muito fizemos pra comparecer ao show do Iron Maiden ontem passamos.
Nunca paguei tão caro para ser tão desrespeitada e colocar a vida em risco. Andei lendo algumas reportagens em que a imprensa, como sempre, distorceu a história passando a imagem de que a culpa da desordem foi dos rockeiros malucos e drogados que quebraram as grades de "segurança" porque são brutos, quando na verdade, fomos todos vítimas de uma grande desorganização e falta de respeito por parte da produtora oficial e local.
Cheguei com meus amigos na fila por volta de 17:30 e deparamos com a fila única para todos os setores, que já estava quilométrica. Os portões deveriam abrir as 18:30 mas só por volta de 20:30 eu e meus amigos conseguimos subir para a rampa de acesso ao ginásio com muito sacrifício (literalmente, porque havia muitas mulheres e crianças que já não estavam aguentando o empurra-empurra, ressaltando o agravante que foram as grades da entrada todas no chão, derrubadas pelos primeiros da fila que se revoltaram com a situção - eu mesma pensei que seria pisoteada naquele momento), e finalmente entramos no local, onde a banda de abertura Shadowside finalizava o show. O Iron entrou no palco por volta das 22:30 (o horário marcado era 20:30), e logo na metade da primeira música o show teve que ser interrompido porque a grade de segurança da pista vip não conseguiu segurar a galera e cedeu. Ressalto aqui que a pista vip possuía mais pessoas que a pista comum, estava completamente lotada. Longos minutos se passaram até que a banda voltou ao palco e Bruce anunciou o adiamento do espetáculo para o dia seguinte, para garantir a segurança dos fãs que lá estavam presentes. Embora contestada, sua atitude diante àquela situação foi a única que realmente prezou pela nossa segurança.
Não voltei ao show de hoje, primeiro por questões financeiras e físicas, segundo por medo e vergonha e mesmo se morasse perto não voltaria. Vou ressarcir o dinheiro, mas mais do que isso, quero RESPEITO.
Segue abaixo a matéria da repórter Fernanda Lira para o site whiplash.net, que também esteve presente ontem no HSBC Arena.

"A essa altura a vergonha ocorrida durante a noite de ontem no Rio de Janeiro já não é mais novidade. Porém, através desse artigo, eu pretendo apresentar os fatos sob uma outra perspectiva: a perspectiva da repórter responsável pela cobertura carioca do evento para o Whiplash!, que por pouco não foi pisoteada, uma vez que estava exatamente na grade quando ela cedeu."
[O texto representa a opinião do autor e não necessariamente a opinião do Whiplash! ou de seus editores.]

"Eu sinceramente gostaria de estar tomando meu café agora resenhando mais um show que poderia concorrer a melhor no meu ranking pessoal, mas, dessa vez, venho tristemente detalhar toda a série de acontecimentos frutos de uma irresponsabilidade sem tamanho que acabaram por culminar no adiamento do show.
Desde o início da noite, eu já pude perceber que a (des)organização do evento parecia ser um tanto inexperiente, uma vez que dificultava o acesso dos fãs ao show. O primeiro motivo foi a escolha do local. Em São Paulo, minha cidade natal, as pessoas costumam reclamar quando shows acontecem em casas como o Credicard Hall ou HSBC Hall, por causa da enorme distância que a maioria tem que percorrer para chegar aos lugares. Queridos paulistanos, acalmem-se: existe um local que bate todos os recordes nesse quesito, e ele é exatamente o HSBC Arena, no Rio, onde aconteceria o show do Iron Maiden. Acreditem se quiser, mas levamos, de carro, UMA HORA para nos deslocarmos do bairro do Flamengo até a arena. Parece pouco para os paulistanos que estão acostumados com o trânsito caótico de São Paulo, mas é MUITO para um percurso sem qualquer tipo de engarrafamento em uma cidade onde quando você dirige a menos de 80 por hora, fica sujeito a uma saraivada de buzinas e faróis altos. Tenho dó de quem não conhecia o Rio tão bem quanto quem estava comigo no carro, pois, com certeza, a galera oriunda de outras cidades teve o tempo de seu percurso dobrado.
Finalmente lá, os problemas estavam para começar. O quase descaso com a imprensa me deixou boquiaberta. O carioca é maravilhoso no que diz respeito a bom humor e gentileza, mas quando o assunto é prestação de serviços, a displicência é a palavra chave. Acreditem ou não, mas ninguém sabia me informar onde era a retirada de credenciamentos para a imprensa. Os integrantes da staff não raro me respondiam com um `Olha, eu acho que deve ser em tal lugar`. Não preciso nem dizer que isso é simplesmente inadmissível, né? Depois de um trabalho digno de jornalismo investigativo, descobri o local, mas preferia não acreditar no que eu estava ouvindo. A retirada acontecia em outro portão, há exatamente UM QUILÔMETRO da bilheteria/retirada de ingressos. Quando cheguei lá, os seguranças do estacionamento não me deixaram entrar porque ‘não conheciam’ o site. Depois de um tom de voz mais elevado da minha parte, me mandaram para o local de distribuição de credenciamentos. Depois de algum tempo na fila, finalmente era minha vez: fui informada de que ali era apenas para convidados e que eu teria que caminhar mais um bom tanto para chegar ao credenciamento de imprensa. Meu problema resolvido, agora é hora de contar o descaso para com os fãs. E QUE descaso!
A fila para a entrada das pessoas na casa, chegou a se extender por aproximadamente 600 metros perto da hora do show. Isso mesmo ‘a’ fila: era apenas uma para a entrada em todos os setores. Independentemente se você tinha ingresso de pista normal ou premium, cadeiras de nível um ou três, você entraria por esse mesmo portão que dava acesso às 15 mil pessoas, que entravam uma de cada vez. Se os fãs não tivessem se apressado e quebrado e derrubado os labirintos feitos com grades de ferro, tenho certeza que até agora de manhã ainda teriam pessoas entrando no local com esse ritmo absurdo. E quando digo isso, não estou exagerando. Falei com um número grandíssimo de pessoas que tinham plena certeza de que o show de abertura, da banda Shadowside, não havia acontecido. Elas chegaram tão tarde no local que nem viram o palco dessa banda ser desmontado e ficaram surpresas quando eu disse que havia sim acontecido o show.
Desnecessário dizer que isso é vergonhoso. Uma banda que abre um show desse porte busca visibilidade, Mas como ter visibilidade se apenas 20% da casa estava cheia? Apesar disso, eles fizeram uma apresentação excelente, para um público não tão grande, mas fiel, que agitou e vibrou a cada minuto do show. Esse tipo de coisa, infelizmente, acontece com freqüência, mas destaco aqui, porque é algo que precisa ser remediado.
Às 20h30, horário previsto para o início do show do Iron Maiden, e MILHARES de fãs ainda nem tinham conseguido entrar nem pegar seus ingressos de internet. Sorte que, como toda ‘boa’ produção brasileira, o show atrasou e muito. Na pista, comigo, estavam pessoas de todos os lugares: apenas ao meu redor, pude conversar com gente de várias outras cidades do Rio, com outros paulistanos como eu, com mineiros e até com uma argentina. Mal sabiam eles o que estava por vir. Na verdade, acho que sabiam sim. Depois de tanta desorganização, todos tinham uma intuição de que algo a mais não daria certo naquela noite. Não esqueço de um momento em que falei para um amigo comprar uma camisa do show com aquele típico ‘Eu fui!’ nas costas, e ele replicou ‘Eu não, está tudo uma baderna tão grande, que nem posso ter certeza de que verei mesmo o show’. Ele, sem saber, estava certo!
Quando soou o primeiro acorde de “The Final Frontier” a grade simplesmente cedeu, quebrou. A multidão acabou sendo empurrada pra frente, totalmente, e os poucos fotógrafos ali só não foram esmagados por causa dos seguranças que tentavam empurrar as pessoas para trás novamente. Eu estava lá e não tenho nenhum orgulho em dizer isso. Quando vi que a grade já não suportaria ninguém, dei alguns passos para trás e comecei a me preparar para o pior, pensando em estratégias para ‘escapar’ se o pior acontecesse: o medo de ser pisoteado passou na cabeça de todo mundo, sem exceção, que estava ali na primeira fila. A alguns metros de mim, à direita, as pessoas começaram a subir umas nas outras e então a se apoiar no palco, tentando subir nele para não serem fatalmente pressionadas. A banda continuava a tocar, porque se parassem bruscamente, a reação talvez pudesse ser mais forte, mas Bruce Dickinson mal cantou o primeiro verso, e, depois disso, se preocupava em falar para as pessoas irem para trás e em tentar avisar alguém da produção, pois via que os seguranças já demonstravam não ter mais forca alguma para segurar com suas próprias uma multidão de quase 8 mil pessoas. Eu e outros fãs gesticulávamos para o Steve Harris parar de tocar, numa tentativa desesperada de parar com aquela situação horrível, que se não fosse controlada COM CERTEZA causaria mortes ou pelo menos ferimentos graves.
Quando a música terminou, Bruce, visivelmente preocupado, disse que tínhamos que nos acalmar e que eles voltariam em dez minutos. As pessoas, depois disso, tentavam dar um passo para trás, o que era difícil, porque muitas das pessoas que estavam nas pistas, mais para trás, ainda não tinham entendido que a grade cedera, porque ninguém havia avisado no microfone. Por isso, começaram a empurrar, meio que em protesto.
"Doctor Doctor" começou e eu, velha guerreira de shows, não senti o esmagamento típico de início de show. Por incrível que pareça, as pessoas não estavam empurrando tanto, nada anormal para um show de metal. Eu já peguei grades de show MUITO piores que aquela. Ou seja, se a porcaria da grade explodiu, não foi por culpa de alvoroço ou tumulto nenhum, mas sim, por falha gravíssima na infra-estrutura da arena.
Os seguranças conseguiram fazer uma corrente humana à frente da primeira fila e assim foi possível que algumas pessoas da produção tentassem consertar o estrago. Aliás, até Fábio Buitvidas, baterista da banda Shadowside, se juntou à equipe e começou a dar marteladas na grade. Depois disso, eu não esperava mais nada daquela noite.
Bruce Dickinson em uma atitude digníssima de destaque mostrou todo seu profissionalismo e foi ao palco com uma tradutora. A banda poderia muito bem ter simplesmente decidido cancelar o show, o que seria totalmente compreensível frente a tanta desorganização. Mas não, o vocalista, sabendo que poderia encarar qualquer tipo de protesto, foi ao palco explicar a solução encontrada para o problema. Mesmo dentre um coro forte de vaias (não para ele nem para a banda, obviamente, mas sim para a situação lamentável à qual a má produção do evento fez o público se submeter), Bruce conseguiu explicar que por questões de segurança, eles não poderiam prosseguir com o show e explicou que no dia seguinte, no mesmo horário, todo mundo poderia conferir a apresentação. Nesse momento, todos se revoltaram. E quem trabalha na segunda? E quem veio de outra cidade dependendo de van e hospedagem em hotel? Segundo a produção, eles ‘darão um jeito’ nisso.
Não somente o prejuízo financeiro deixou toda uma multidão abatida, mas também a frustração. Foi de dar dó ver os headbangers cabisbaixos andando com suas camisas do Iron Maiden pela cidade. Foi de dar dó ver uma massa enorme de pré-adolescentes que iriam realizar o sonho de ver a banda pela primeira vez ligando para seus pais irem buscá-los. Foi de dar dó ver uma cidade tão maravilhosa ser palco para uma das maiores vergonhas da cena.
Agora, gostaria de expor uma série de reflexões que fiz.
As conseqüências desse desastre épico não serão apenas financeiras, mas também morais. Apesar de a prefeitura do Rio fazer um governo bom, pelo menos às vistas de quem visita o local, a cidade não estava preparada para um show desse porte. E isso demonstra uma falha de âmbito nacional, e não apenas do Rio de Janeiro. Temos todo o mérito do pré-sal, mas ainda temos gente que passa fome. Temos Barack Obama falando bem do país, enquanto tem gente dormindo na rua. Temos capacidade de fazer três edições geniais do Rock in Rio, mas falhamos em fazer um show de porte menor. Isso me faz pensar que o Brasil é um país de fachada. Tudo parece lindo visto de longe, mas na verdade, as entranhas são falhas, fracas e inexperientes.
Sei que em São Paulo o show ocorreu sem maiores problemas e isso é ótimo, mas devemos lembrar que o nosso país será sede de uma Copa do Mundo e de Jogos Olímpicos em breve. Em muito breve, antes mesmo que possamos sanar todos esses problemas de infra-estrutura, falta de planejamento, e, em algumas vezes, falta de inteligência mesmo. Estamos mesmo preparados para eventos tão grandes? Estamos mesmo preparados para dizer ao mundo que estamos em desenvolvimento? Estamos mesmo prontos para assumir que podemos resolver problemas de solução não tão complexa? Convido vocês a pensar e ficarei feliz em ouvir argumentos que discordem do meu pensamento, para me deixar uma pouco mais confortada.
A repercussão disso será mundial e disso eu tenho certeza, uma vez que vi membros da staff do Iron Maiden fotografar toda aquela situação horrorosa. E não os culpo, porque para eles aquilo é novo! Boto minha mão no fogo para dizer que tenho certeza de que eles nunca haviam visto aquilo antes. Mas para mim, essa repercussão não será a pior. Já me acostumei com a idéia de o país sempre fazer feio no cenário internacional.
O que mais me dói é a repercussão negativa que isso vai gerar para a cena. Para as pessoas que virem isso na TV e não entenderem a raiz do problema, isso só vai ser mais uma confirmação do velho estigma que recebemos de ‘roqueiro vândalo, drogado e violento’. Se eu estivesse de fora, não pensaria duas vezes em julgar, porque, dessa vez, os produtores fizeram por onde.
Aliás, esse é um grande problema. A cena precisa ser levada mais a sério. Todo mundo fala que a cena no Rio de Janeiro é decadente e quase extinta e agora eu posso entender o por quê. Agora eu entendo os bangers daqui. Se a cada vez que um show fosse acontecer, o descaso com os fãs, a desorganização e adiamento e cancelamentos fossem comuns, eu teria que ser (assim como o underground sobrevivente do Rio é) muito apaixonada para suportar e relevar tudo isso.
Mas agora vem meu apelo a todos que lerem isso. Faz um bom tempo que esquecemos algo essencial. Assim como qualquer outro, um show também é um produto. Se compramos algo que não está bom, temos o direito de reclamar e exigir um melhor. Por que diabos não fazemos isso com os shows? Não denunciamos, não protestamos, não fazemos abaixo-assinados. Pelo preço que as pessoas pagam pelos shows, deveríamos ter um serviço de primeira. Mas não, engolimos qualquer revés que venha a acontecer quase que naturalmente.
Gostaria de lembrar que a grade que estourou foi a grade da pista VIP. Que serviço VIP é esse? Eu não concordo nem nunca concordei com a invenção desse setor. Acho que os preços são criminosos, uma vez que não condizem com a alta do dólar ou com a inflação – estão sempre acima de ambos. Essa pista também é quase discriminatória, porque priva fãs que não tem muitas economias de ver sua banda predileta de perto, e cada vez mais se expande: um amigo meu que gravou o discurso do Bruce deu um ângulo amplo da pista que revelou que a pista VIP estava MAIOR que a pista normal. Mas, vendo pelo lado de quem pagou 400 reais pelo ingresso, acho inadmissível que o show tenha sido adiado por conta de uma medida tão básica que não foi tomada.
Enfim, espero ter colocado os fãs para refletir sobre algumas coisas que vem acontecendo e relatado fielmente o que aconteceu na grade do show de ontem. Apesar de milhares que não poderão comparecer hoje devido a motivos pessoais e de todo o transtorno que vivemos nas últimas horas, tenho certeza que o show de hoje a noite será compensador. Afinal, concertos inesquecíveis é o que o Iron Maiden sabe fazer melhor."

http://whiplash.net/materias/shows/127357-ironmaiden.html

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

New year's day

Chega de promessas para serem não cumpridas. Chega de planos para serem abandonados pelo caminho. É inevitável que todo final de ano traga melancolia e proporcione um profundo momento de reflexão, mas o que significa de fato ano novo? Obviamente cada um possui uma definição a que mais lhe agrade, carregada de sentimentalismo e significados.
Sinceramente eu nunca gostei muito disso tudo. Nos últimos cinco anos a única coisa que me lembro foi que a cada dezembro, uma nova despedida - e parece que desta vez não foi muito diferente. Por mais que seja clichê, é verídico dizer que a vida é mesmo assim, feita de chegadas e partidas e sempre vai ser. A gente aprende a lidar com isso, mas daí dizer que se acostuma... Jamais me acostumarei; olhar pra trás e ter que admitir: ficou pra trás. Seria mais fácil se apenas as coisas ruins pudessem ser deixadas para trás, mas em contrapartida, será que as boas teriam o mesmo valor? E tudo vira uma grande bola de neve, perguntas que apenas desencadeiam mais dúvidas e por fim, um ciclo também chega ao fim - com ou sem respostas. Porque o tempo não para e vai ser tarde quando perceber que ele não volta. Quem se importa com promessas de um ano perfeito? Perfeito é simplesmente viver cada segundo como se fosse o último de sua vida, porque o que valeu a pena, valeu o tempo todo.
É bem isso. Chegadas e partidas, momentos bons e ruins. Um ciclo que se renova a cada 365 dias. Por que não pode ser tão simples? Talvez realmente não seja se você repetir o ciclo anterior, continuar carregando o que te carregou, o que te fez por vezes se arrastar. Se tudo correu bem, então dê continuidade, mas se não... bem, é um novo ciclo, então a solução seja começar do zero. Há 50% de chance de algo dar errado, mas a mesma probabilidade de dar certo e só existe uma forma de saber o resultado. Melhor se arrepender por ter feito do que por não ter tentado. Cabe apenas e exclusivamente a cada um de nós decidirmos continuar no mesmo caminho ou não. Cabe apenas a cada um decidir entre sobreviver ou viver - e existe aí uma grande diferença. As coisas são simples de fato, o ser humano que sempre arranja um jeito de complicar - deveria fazer o contrário.
Esse é provavelmente o último post do ano, mas espero de verdade não clicar no botão excluir dessa vez – isso não é uma promessa!

"All is quiet New Year's Day
A world in white gets underway
Nothing changes on New Year's Day
On New Year's Day"
- New Year's Day; U2

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Trust

Sei que as vezes pareço distante, sei que as vezes te decepciono e que minha companhia ao invés de te alegrar, te faz chorar por dentro. As coisas não são fáceis pra mim, mas também não são pra ninguém, portanto jamais usarei isso como uma hipócrita justificativa. Mas se me mantenho em pé, é porque tenho você.
O calor do seu abraço faz tudo ficar bem melhor e o pulsar do seu coração faz a minha vida querer tomar o mesmo ritmo. Se te fiz sofrer foi na tentativa de lhe proteger, por favor, não entenda mal. E não pense que sua presença é indiferente, me iludi ao fazer isso. Meu maior medo é que a minha se torne dispensável e você então me esqueça. Até mesmo quando insiste no silêncio, gosto de você do meu lado.
Mais do que pedir seu amor, peço sua confiança. Sem sua amizade eu também perco minha base. Preciso de seu carinho, preciso da sua atenção, preciso da sua paciência - e até mesmo da impaciência. Preciso de você.
"There is no-one left in the world
That I can hold onto
There is really no-one left at all
There is only you
And if you leave me now
You leave all that we were
Undone
There is really no-one left
You are the only one"
- Trust; The Cure

sábado, 18 de dezembro de 2010

My immortal

Escutava folk metal até que o som da gaita ia aos poucos se misturando com a chuva que começava a cair lá fora. Olhou pela janela. Era tão... melancólico. Sentiu o vento gelado tocar sua pele. Queria apenas que ele a abraçasse naquele momento, por uma fração de segundo. Queria que o vento trouxesse consigo também o perfume dele - que pode sentir, em sua memória. Deitada no chão de seu quarto, fechou os olhos. Imaginou como seria se esse outro mundo tornasse realidade. Desejava isso mais que sua própria vida, que parecia não fazer sentido sem ele.


"I've tried so hard to tell myself that you're gone
But though you're still with me
I've been alone all along"
- My Immortal; Evanescence

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Time of your life

Mexendo nos arquivos, vasculhando pastas, revendo fotografias, relembrando momentos. Tenho feito muito isso nos últimos dias. Às vezes paro em uma ou outra, fecho os olhos, e com uma música ao fundo, é como voltar para aquele lugar, no exato instante em que a foto foi feita. Não queria que isso soasse nostálgico, mas é realmente impossível.
Em uma dessas viagens pelo HD, abri a pasta com as fotos da viagem para Campinas ao final de outubro (sempre outubro). Objetivo da viagem: 2ª Olimpíada Nacional de História do Brasil proposta pela Unicamp. Cinco fases realizadas virtualmente e a sexta fase e grande final, presencial na universidade - sonho bastante distante até então.
Formamos a equipe de três pessoas (no nosso caso, seis hahaha), com a orientação de um professor (Aída *-*), e estávamos então participando - eram duas equipes, uma comigo e mais duas amigas, e uma outra formada por outros três amigos. A cada reunião para discussão das questões resultava numa grande interrogação ao final. Será que passaríamos? Achávamos que nem da primeira fase... Mas passamos, e a cada etapa vencida era uma felicidade seguida de aflição. Primeira, segunda, terceira, quarta, quinta fase. Ter que abrir aquele site para saber o resultado obviamente foi terrível (e eu não estava presente, desculpe deixá-las fazer isso sozinhas, Anne e Nina hahaha). Após quase dois meses chegamos lá. Era surreal. Era... Simplesmente ERA!
Surreal mesmo foi entrar naquele ônibus, chegar em Campinas, pisar na Unicamp. Sim, isso significava muito pra mim, para todos nós. Finalmente estávamos lá! De 17mil equipes do Brasil inteiro, éramos duas das 300 que realizaria agora a prova da sexta fase, e também as únicas representando toda a região sul fluminense.
Hospedamos-nos numa pousada simples, mas perfeita. Mágica! – as palavras certas. Lá, já conhecemos uma outra equipe, de Fortaleza. A ficha então começou a cair de verdade. Era sexta-feira e teríamos o final de semana pela frente.
Na sexta, saímos à noite para jantar (e que jantar hahaha!). Sábado realizamos a prova pela manhã e a tarde participamos de uma confraternização que contou com uma banda tocando um repertório sobre a história do rock - como poderia ser mais perfeito? *-* No domingo era o resultado e a premiação (75 medalhas de ouro, 35 de prata e 25 de bronze).
Detalhes à parte, é claro que estou resumindo um pouco de tudo, mas é aqui que eu queria chegar. As equipes vencedoras eram anunciadas de três a três, e a cada "Rio de Janeiro" que era pronunciado, o coração batia mais rápido. Ao falarem "Volta Redonda"... bem, realmente não consigo descrever o que senti, mas garanto com certeza que nosso grito foi o mais alto hahaha! A equipe chamada foi a dos meninos, mas sabíamos que aquela vitória era de todos nós. Chegamos ali juntos e estávamos ali por isso.
Foi aí que percebemos então o verdadeiro sentido daquilo tudo. A medalha apenas simbolizava a vitória onde todos eram vencedores. Vencedores por terem chegado até lá. Tudo o que vivemos durante aqueles três dias, as pessoas que conhecemos, cada abraço, ainda que  desconhecido, mas sincero e recíproco. Foi tudo tão intenso e verdadeiro... Estávamos todos felizes por estar ali e por compartilhar o momento com todo mundo. Essa com certeza foi a nossa maior vitória e felicidade. Tudo o que aprendemos e o que realmente ficou não têm preço ou qualquer premiação que pague. Quem teve a oportunidade de sentir tudo isso, com certeza entende do que estou falando. A felicidade só é verdadeira quando compartilhada e esse é o sinônimo de viver.
Sem dúvida foram três dos dias mais felizes da minha vida e ter que voltar não foi nem um pouco fácil. Saber que tudo aquilo estava ficando para trás foi como também deixar uma parte de mim, mas o que eu trouxe comigo estará para sempre na memória e no coração.
Agradeço à Anne, Nina, Gabriel, Dani, João, ao Tio Felipe (pai do Dani, que também adotou todos os outros), sem vocês nada disso teria valor. E claro, agradeço à nossa professora Aída, que não pode viajar conosco mas esteve presente o tempo inteiro, e sem ela não teríamos chegado lá. Essa vitória é tão sua quanto nossa, Aída.


"So take the photographs
and still frames in your mind
Hang it on a shelf
of good health and good time
Tattoos of memories
and dead skin on trial
For what it's worth
it was worth all the while"
- Time Of Your Life; Green Day

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

It's my life

Hoje faz exatamente um mês de mais um sonho realizado. Um mês! Parece que foi ontem. Bon Jovi, The Circle Tour Live in RJ, 08-10-210 - EU FUI!
A ansiedade pela compra do ingresso, das passagens, a contagem regressiva. Todos os planos falhos, mas todos os acasos muito bem sucedidos. A vida é mesmo uma caixinha de surpresas, e a minha tem sido uma caixa bem grande.
Pensei em escrever aqui, tudo o que passei para chegar até lá, e como cheguei. Contar nos mínimos detalhes como foi tudo, tentar descrever como é estar no show de uma de suas bandas preferidas. Mas decidi que não o farei. Não me importo em compartilhar todas essas maluquices de fã, e de fato já repeti as desse show para muita gente, no entanto, esse não é meu principal objetivo agora.
Havia algum tempo que eu não atualizava o blog e então resolvi relembrar o momento pelo qual eu esperei anos, e que de tão rápido, passou quase imperceptível. Injusto, não? É um ciclo interminável: ansiedade para que chegue logo, depressão pós-show, e novamente ansiedade pelo próximo.
Tentando resumir, por pouco eu quase não pude ir, e de repente eu estava na grade da pista premium, a menos de dois metros dos caras. Mas onde quero chegar, é que foram os pequenos atos de pessoas que eu tão pouco conhecia que tornaram isso possível. Pequenos atos que são de um valor inestimável, e que eu certamente jamais esquecerei o que fizeram por mim, ainda que eu nunca mais os veja. É muito bom poder compartilhar a realização de um sonho com pessoas que só desejam em troca  um sentimento recíproco.
Não quero ser injusta ao citar nomes, mas que fique minha eterna gratidão à Lívia e ao Guri (sem vocês eu não seria VIP ao menos uma vez na vida hahaha), ao Kleber (que topou entrar nessa doideira comigo menos de uma semana antes do show), Davi (que compartilhou a câmera e a fila), Filipe (sem sua carona eu não teria como voltar pra casa), e claro, o pessoal do chat (não conheci todos pessoalmente, mas vocês são fodas demais e também fizeram muito por mim, tenham certeza).
Mais uma vez tive a prova de que a felicidade só é verdadeira quando compartilhada, e se eu estivesse sozinha, nada disso teria valor. Era para ser "apenas" mais um show de rock, mas aprendi coisas que levarei comigo para sempre.

Kleber, Lívia, eu e Davi



"It's my life
It's now or never
I ain't gonna live forever
I just want to live while I'm alive
It's my life"

- It's My Life; Bon Jovi

terça-feira, 26 de outubro de 2010

October no ceiling

Nada de planos, nada daquela ansiedade pelo esperado. Planejamento talvez seja um dos maiores erros do ser humano - pelo menos é assim que sempre funcionou comigo. Mas cheguei à conclusão que às vezes o que estava fora de nossos planos pode dar mais certo do que se o plano original tivesse se realizado.
Planejei tantas coisas para outubro, tentei seguir tudo à risca para que saísse exatamente da forma que eu esperava, e quando tudo começou a desmoronar, eu caí também. Tudo parecia se perder, mas esse todo que parecia dar errado desde o começo, na verdade levou ao certo. Quando o que poderia ser minha maior derrota, tornou-se minha maior vitória.
Entendi como as coisas realmente funcionam, como a vida funciona. Mudei a visão que eu tinha sobre várias coisas, sobre as pessoas ao meu redor. Conquistei valores e aprendi comigo mesma, a tempo de mudar minhas escolhas e não cometer talvez um de meus maiores erros.
Entendi que "a felicidade só é de verdade quando compartilhada"¹. Pude sentir isso verdadeiramente na pele e no coração. Realizei grandes sonhos que certamente não teriam o mesmo e grande valor se não sinceramente compartilhados.
Eu esperava tão pouco de tudo e de repente tudo mudou. Olho para trás, o mês nem acabou e quanta coisa eu já vivi... Quantao coisa eu realmente aprendi.
Recordo-me que há pouco tempo ao conversar com meu amigo Helder (vulgo, Folquês *-*), eu disse que uma carta era o suficiente para derrubar meu castelo inteiro, o grande mal de todo perfeccionista eu sei, mas essa sempre foi minha visão. Visão esta que hoje eu já não tenho mais. A carta pode continuar faltando, pode ser até insubstituível, mas não maior que todas as outras que constituem o castelo. O castelo é a sua vida, cada carta é uma conquista, e isso ninguém pode tirar de você. Deixar que algo tão pequeno imponha grandes limites é inadmissível.

"No, my heart will never, will never be far from here
And there's a reason I'll be, a reason I'll be back
I leave here believing more than I had
This love has got no ceiling"

- No Ceiling; Eddie Vedder

¹Nota: Trecho do filme "Na Natureza Selvagem, Sean Penn".