terça-feira, 26 de outubro de 2010

October no ceiling

Nada de planos, nada daquela ansiedade pelo esperado. Planejamento talvez seja um dos maiores erros do ser humano - pelo menos é assim que sempre funcionou comigo. Mas cheguei à conclusão que às vezes o que estava fora de nossos planos pode dar mais certo do que se o plano original tivesse se realizado.
Planejei tantas coisas para outubro, tentei seguir tudo à risca para que saísse exatamente da forma que eu esperava, e quando tudo começou a desmoronar, eu caí também. Tudo parecia se perder, mas esse todo que parecia dar errado desde o começo, na verdade levou ao certo. Quando o que poderia ser minha maior derrota, tornou-se minha maior vitória.
Entendi como as coisas realmente funcionam, como a vida funciona. Mudei a visão que eu tinha sobre várias coisas, sobre as pessoas ao meu redor. Conquistei valores e aprendi comigo mesma, a tempo de mudar minhas escolhas e não cometer talvez um de meus maiores erros.
Entendi que "a felicidade só é de verdade quando compartilhada"¹. Pude sentir isso verdadeiramente na pele e no coração. Realizei grandes sonhos que certamente não teriam o mesmo e grande valor se não sinceramente compartilhados.
Eu esperava tão pouco de tudo e de repente tudo mudou. Olho para trás, o mês nem acabou e quanta coisa eu já vivi... Quantao coisa eu realmente aprendi.
Recordo-me que há pouco tempo ao conversar com meu amigo Helder (vulgo, Folquês *-*), eu disse que uma carta era o suficiente para derrubar meu castelo inteiro, o grande mal de todo perfeccionista eu sei, mas essa sempre foi minha visão. Visão esta que hoje eu já não tenho mais. A carta pode continuar faltando, pode ser até insubstituível, mas não maior que todas as outras que constituem o castelo. O castelo é a sua vida, cada carta é uma conquista, e isso ninguém pode tirar de você. Deixar que algo tão pequeno imponha grandes limites é inadmissível.

"No, my heart will never, will never be far from here
And there's a reason I'll be, a reason I'll be back
I leave here believing more than I had
This love has got no ceiling"

- No Ceiling; Eddie Vedder

¹Nota: Trecho do filme "Na Natureza Selvagem, Sean Penn".

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Do título

Em qualquer texto, livro ou música, em minha concepção, o título é a parte mais trabalhosa e que deve ser elaborada com um cuidado a mais. Não menos importante, é ele quem faz despertar a curiosidade que nos conduzirá ao conteúdo então pertinente. Do contrário, para que perder tempo com algo provavelmente tão despropósito quanto o título? E realmente foi difícil encontrar um que satisfizesse tal exigência - mas acho que consegui. Unknown caller, chamada desconhecida.
"Unknown Caller" é a quarta faixa do último disco do "U2", "No Line On The Horizon", 2009. Bono diz que ela fala sobre ouvir a voz de Deus, mas também parece ser uma história contada da perspectiva de um viciado, e foi aí que então parei.
Há várias formas de se interpretar uma música, e as apresentadas pelo vocalista, obviamente, foi a motivação que o levou a compor a canção, mas tentei ir além. O que entender por uma "chamada desconhecida" e o que isso tem a ver com escrever aqui?

"I was lost between the midnight and the dawning
In a place of no consequence or company
3:33 when the numbers fell off the clock face
Speed dialing with no signal at all"

Perdida entre a meia-noite e o amanhecer, num lugar sem consequência ou companhia as 3:33. Isso tem a ver, muito a ver. Afinal, são momentos como esses que me fazem pegar um lápis e um papel e começar a escrever. Essa é a chamada desconhecida - mas que fique claro, não estou fazendo nenhuma alusão a qualquer divindade (até porque minhas crenças e opinião religiosa é algo a ser tratado com mais cautela). Obra do subconsciente ou de um consciente que por vezes eu não tenho consciência, essa chamada me faz pensar um pouco mais. Refletir sobre mim. Escrever.

"Escape yourself, and gravity
Restart and reboot yourself"

Escapar de mim e da gravidade. Reiniciar o sistema e a mim mesma. Consequência dela, chamada desconhecida.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Do blog

Sempre achei essa história de escrever em diário algo tão despropósito, e um diário virtual (ou blog) não me parece diferente, Já estive por aqui outras vezes e o final foi o mesmo: excluir conta – talvez isso se repita mais tarde.
Não descreverei minha(s) rotina(s) (rotina é só de nome, monótona, e monotonia é sempre sinônimo de mais do mesmo), talvez a ausência dela, isso sim me parece mais interessante. Críticas utopicamente revolucionárias certamente terão um espaço reservado, fotografia* e música também – trio perfeito. Escrever é mais um de meus hobbies, embora poucos saibam – a não ser aquele velho caderno e as folhas soltas que sempre acabam na lixeira após me fazerem companhia em madrugadas vazias.
Escrever. É só isso. Mamãe diz que sou “geniosa”, de pontos de vistas irredutíveis e opiniões defendidas a qualquer custo. Posso não me auto-descrever, mas escrever é de certa forma deixar transparecer ao menos um pouco de si mesmo e, portanto, o que mamãe diz estará explícito aqui, ainda que implícito.
Confusão cerebral declarada. Texto tecnicamente desconecto também é uma arte e esse é só o primeiro. A ausência da forma perfeita é a minha forma perfeita de escrever – sinto muito aos parnasianos.
Não tenho hora nem lugar para isso, não possuo a fórmula da inspiração constante, então não espere um cronograma textual dessa mera exteriorização pessoal. Não faço questão de simples seguidores que não se darão ao trabalho de abrir essa página, mas de pessoas que realmente tenham algo a mais para acrescentar. Adoro falar/escrever, mas escutar/ler é ainda mais encantador. Se ao menos um me retribuir isso sinceramente, terei então meu objetivo alcançado.
Escrever sobre qualquer coisa, a qualquer momento, quando der vontade. É bem isso. Até, ou não (isso sempre fica bem em qualquer final).

* Nota: As fotos que por mim serão utilizadas aqui são de toda e total autoria própria, sendo protegidas pelos Direitos Autorais. Desta forma, a reprodução das mesmas está terminantemente proibida sem aviso prévio e não identificação do autor (assim como os textos).